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Ah, Quanta Vez, na Hora Suave
(Fernando Pessoa)
AH, quanta vez, na hora suave
Em que me esqueço, Vejo passar um vôo de ave E me entristeço! Por que é ligeiro, leve, certo No ar de amavio? Por que vai sob o céu aberto Sem um desvio? Por que ter asas simboliza A liberdade Que a vida nega e a alma precisa? Sei que me invade Um horror de me ter que cobre Como uma cheia Meu coração, e entorna sobre Minh'alma alheia Um desejo, não de ser ave, Mas de poder Ter não sei quê do vôo suave Dentro em meu ser. Autor: (Fernando Pessoa) - Adicionado em: 08/08/2010 - Cliques: 428 - 0 comentários - [ envie o seu comentário ] [ envie esta poesia para um amigo ] › Adicione esta poesia aos favoritos: › Comentários (0):
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