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O NASCIMENTO DO PRAZER (trecho)
(Clarice Lispector)
O prazer nascendo dói tanto
no peito que se prefere sentir a habituada dor ao insólito prazer. A alegria verdadeira não tem explicação possível, não tem a possibilidade de ser compreendida - e se parece com o início de uma perdição irrecuperável. Esse fundir-se total é insuportavelmente bom - como se a morte fosse o nosso bem maior e final, só que não é a morte, é a vida incomensurável que chega a se parecer com a grandeza da morte. Deve-se deixar inundar pela alegria aos poucos - pois é a vida nascendo. E quem não tiver força, que antes cubra cada nervo com uma película protetora, com uma película de morte para poder tolerar a vida. Essa película pode consistir em qualquer ato formal protetor, em qualquer silêncio ou em várias palavras sem sentido. Pois o prazer não é de se brincar com ele. Ele é nós. Autor: (Clarice Lispector) - Adicionado em: 02/09/2010 - Cliques: 974 - 0 comentários - [ envie o seu comentário ] [ envie esta poesia para um amigo ] › Adicione esta poesia aos favoritos: › Comentários (0):
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